quinta-feira, 9 de maio de 2013

Principais Autores e obras do Realismo


Antero de Quental



Antero Tarquínio de Quental  nasceu na ilha Ponta Delgada, Açores em 1842. Cursou Direitona Universidade de Coimbra. Viajou por Paris, Estados Unidos e Canadá e fixou-se em Lisboa. Participou ativamente da Questão Coimbrã e das Conferências do Cassino Lisbonense, onde adquiriu vários amigos, como , por exemplo, Eça de Queirós. Deprimido, suicidou-se em sua terra natal em 1891.
Obras: Raios de Extinta Luz, Odes modernas, Primaveras Românticas, Sonetos Prosas e Cartas.
Foi um grande sonetista, apresentando momentos iluminados, otimistas  e outros de extremo pessimismo, tomando como inspiração o filósofo Schopenhauer.



 Eça de Queirós


José Maria Eça de Queirós , nasceu em Póvoa do Varzim 1845. Passou a infância e juventude longe dos pais pois estes não eram casados. Estudou direito na Universidade de Coimbra. Ligou-se por essa ocasião ao grupo renovador chamado “Escola de Coimbra” , Responsável pela introdução do Realismo em Portugal. 
Eça não participou diretamente da “Questão Coimbra” - 1865 - , a polêmica em que jovens defensores de novas ideias literárias , artísticas e filosóficas liderados por Antero de Quental , se defrontaram com os velhos românticos , ultrapassados e conservadores , liderados por Visconde de Castilho. 

Dedicou-se ao jornalismo depois de formado , e viajou pelo Oriente. Em 1871, participou das “Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense” – nova etapa da campanha que implantou em Portugal as novas perspectivas culturais do Realismo falando sobre o “Realismo como nova expressão da arte”. 

Eça de Queirós e o representante maior da prosa realista em Portugal. Grande renovador do romance , abandonou a linha romântica , e estabeleceu uma visão critica da realidade. Afastou-se do estilo clássico , que pendurou por muito tempo na obra de diversos autores românticos , deu a frase uma maior simplicidade , mudando a sintaxe e inovando na combinação das palavras. Evitou a retórica tradicional e os lugares comuns , criou novas formas de dizer , introduziu neologismos e, principalmente utilizou o adjetivo de maneira inédita e expressiva. Este novo estilo só teve antecessor em Almeida Garrett e valeu a Eça a acusação de galicismo e estabeleceu os fundamentos da prosa moderna da Língua Portuguesa.
Enfim , no dia 16 de Agosto de 1900 Eça morre em Paris. Deixava um episódio literário que veio a ser publicado aos poucos. 
Cesário Verde é conhecido por sua poesia do cotidiano, na qual situações comuns e banais são poetizadas. Além disso, seu realismo é expressionista, cheio de emoção.




 Cesário Verde


José Joaquim Cesário Verde  nasceu em Lisboa em 1855. Chegou a matricular-se no curso de Letras  da Universidade de Lisboa, mas desistiu,  para trabalhar com seu pai em uma loja de ferragens. Publicou algumas  poesias no Diário de Notícias, no Diário da Tarde, no Ocidente, entre outros. Morreu de tuberculose com apenas 31 anos em 1886.  Sua obra foi publicada postumamente em 1887, sendo composta por um único livro: O livro de Cesário Verde . Além de Camões, é considerado como uma forte influência na obra de Fernando Pessoa.
Veja um trecho do belo poema Sentimento de um ocidental  no qual  o poeta faz um retrato lírico e realista da cidade de Lisboa. Andando pelas ruas desde o anoitecer até a madrugada, o eu- lírico descreve a realidade de uma já cidade  já marcada pela modernidade.


Eu e ela  - Cesário Verde

Cobertos de folhagem, na verdura, (A)
O teu braço ao redor do meu pescoço,(B)
O teu fato sem ter um só destroço,(B)
O meu braço apertando-te a cintura;(A)

Num mimoso jardim,ó pomba mansa,
Sobre um banco de mármore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais,sem más ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras  vezes buscando distracção,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiros,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou pagãos, vida á paxá,
Nós leremos, aceita esse meu voto,
O Flos- Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavalheiro de Flaubas...


Análise:

O poema Eu e ela de Cesário Verde é constituído por 24 versos e 6 quartetos, (quartetos são estrofes de 4 versos) sendo que os versos são decassílabos (dez sílabas), porém são decassílabos heróicos, com as tônicas nas sílabas 6 e 10, essas métricas é que dão musicalidade e sonoridade ao poema. O esquema rimático é ABBA, ou seja , rima interpelada ou oposta. O vocabulário é concreto e objetivo. Esse poema contém:

*Subjetivismo nos versos 2,9 e 13

O teu braço ao redor do meu pescoço (2)
Nós havemos de estar ambos unidos (9)
Nós teremos então sobre os joelhos (13)

O poema contém subjetivismo inclusive no título Eu e ela, onde o autor se inclui no poema.

* Paralelismo nos versos 2,3,9 e 13

O teu braço ao redor do meu pescoço (2)
O teu fato sem ter um só destroço (3)
Nós havemos de estar ambos unidos (9)
Nós teremos então sobre os joelhos (13)


*  Paranomásia, aproximação de palavras pela semelhança, que é a causadora das rimas, formando o esquema ABBA.

* Aliteração, repetição das vogais (a) e (o), acrescidas do pluralizador (s) causam sonoridade e musicalidade, assim como a métrica.

*Otimismo e felicidade estão expressos nos versos 9,10,19 e 20

Nós havemos de estar ambos unidos (9)
Sem gozos sensuais, sem más ideias (10)
Gozaremos Assis dias inteiros (19)
Formando unicamente um coração (20)

* Antítese no verso 21

Beatos ou pagãos, vida á paxá (21)


Temática do poema: amor


Mensagem contida no poema:

O poema nos transmite o valor que é dado a mulher amada, o valor que é dado ao “ estar junto” a mulher amada, pequenas coisas como abraçar, beijar e acariciar o ser amado que nos fazem felizes. Vemoa no poema a dualidade cidade & campo, sendo a cidade um espaço de morte e o campo um espaço de vida, logo a valorização do natural em detrimento do artificial. O campo é visto pelo poeta como um espaço de liberdade e a cidade como um espaço opressor, símbolo da morte. 

Um comentário:

  1. Trabalho bem elaborado, satisfatório para o que foi proposto. PROJETO eficiente para despertar o interesse do aluno do Ensino Médio.

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